andam à procura de um cadáver à porta de minha casa. ontem foi um mau dia para um naufrágio.
Oct 3, 2006
Sep 11, 2006
Sep 5, 2006
utopia ( 2 ).

the nature of gothic - john ruskin - kelmscott press
os últimos anos da vida de william morris foram dedicados à impressão e edição de livros. mais uma vez fiel às suas ideias sobre a sociedade industrializada, morris considerava que a mecanização dos processos de impressão não tinham obrigatoriamente que ser deficitários ao nivel dos seus materiais e da sua qualidade visual, como eram as edições da época. é assim que funda a kelmscott press em 1891, onde, mais do que interessado em editar determinados textos, tenta atribuir aos livros e aos seus acabamentos a qualidade que já tinham tido no passado, principalmente, para morris, na idade medieval. as edições da kelmscott são pensadas ao detalhe, nada passa ao lado de morris; do papel à tinta, ao jogo entre a mancha e o espaço. morris ilustra profundamente os livros com motivos medievais e chega a criar tipos próprios para as suas edições. william morris morre em 1896 e a kelmscott acaba em 98, editando, nos seus 7 anos de vida, 53 edições num total de 18000 cópias, que já eram peças de colecção antes de chegar às mãos dos seus compradores. tendo como referência a kelmscott e a qualidade das suas edições, nascem no inicio do século XX inúmeras editoras por toda a a europa.
Sep 4, 2006
utopia.
há sempre aquelas histórias mal contadas. dessas todas, a primeira, a maior, é sobre o papel dado aos mouros na formação de portugal. mas não é dessa que vou falar, vou falar da última, que diga-se, tem mais de um século em cima, mas ainda não tinha dado por ela.
o personagem central desta história chamava-se william morris. designer, escritor, editor, entre mil e outras ocupações. morris viveu e desenvolveu o seu trabalho na segunda metade do século XIX e é por muitos considerado o percursor do design como hoje o conhecemos. criador do movimento inglês arts & crafts, que inspirado nos ideais de ruskin, surge como uma resposta ao abandono dos antigos oficios e à crescente industrialização.

para morris, socialista e medievalista convicto, a industrialização tinha acabado com os objectos artisticos de uso comum, anteriormente realizados por artesãos, que controlavam todo o processo de fabrico - assegurando-lhes uma grande qualidade - trocando-os por produtos de péssima qualidade executados em série por um sem número de operários sem qualificação, a quem era apenas pedido o repetir sem fim de um movimento ou de um esforço, sem qualquer visão global sobre o objecto. é com estes ideais que morris se lança na criação das suas oficinas, para a criação de moveis, papeis de parede, cadeiras e um sem número de outros objectos que rapidamente alcançam enorme sucesso.
chegamos agora à parte mal contada, aquela versão que durante anos ouvi nas minhas aulas de história de arte e que descreviam o ideial de morris como "utópico". se é um facto que morris pretendia provar que se podiam criar objectos de indole artistica por processos artesanais e com preços competitivos para as classes mais baixas, não havendo necessidade do recurso aos produtos industriais de má qualidade - ponto em que o desenrolar dos acontecimentos, na verdade, não lhe deu razão; os seus objectos seriam famosos entre as classes mais abastadas e muito dificilmente um operário teria dinheiro para comprar uma cadeira sua.
acontece que por outro lado, a revisão dos processos de trabalho que advocava em contraste com os usados no resto da industria, estão longe de ser utópicos e foram largamente atingidos nas suas oficinas; um operário de morris era um artista, um artesão que estava a par de toda a produção, do planeamento à execução, era um operário que pensava, debatia e discutia, não se limitiva a uma única tarefa, saltava de objecto em objecto e navegava pelas mais diferentes técnicas.
esta visão do homem, da qualificação do seu trabalho e do valor da sua experiência tem pouco de utópico. basta olhar para os objectos criados e a sua enorme qualidade, basta ver a forma como o pensamento de morris ainda hoje faz eco na nossa sociedade.
utópico? haa! já sei! era socialista.
o personagem central desta história chamava-se william morris. designer, escritor, editor, entre mil e outras ocupações. morris viveu e desenvolveu o seu trabalho na segunda metade do século XIX e é por muitos considerado o percursor do design como hoje o conhecemos. criador do movimento inglês arts & crafts, que inspirado nos ideais de ruskin, surge como uma resposta ao abandono dos antigos oficios e à crescente industrialização.

para morris, socialista e medievalista convicto, a industrialização tinha acabado com os objectos artisticos de uso comum, anteriormente realizados por artesãos, que controlavam todo o processo de fabrico - assegurando-lhes uma grande qualidade - trocando-os por produtos de péssima qualidade executados em série por um sem número de operários sem qualificação, a quem era apenas pedido o repetir sem fim de um movimento ou de um esforço, sem qualquer visão global sobre o objecto. é com estes ideais que morris se lança na criação das suas oficinas, para a criação de moveis, papeis de parede, cadeiras e um sem número de outros objectos que rapidamente alcançam enorme sucesso.
chegamos agora à parte mal contada, aquela versão que durante anos ouvi nas minhas aulas de história de arte e que descreviam o ideial de morris como "utópico". se é um facto que morris pretendia provar que se podiam criar objectos de indole artistica por processos artesanais e com preços competitivos para as classes mais baixas, não havendo necessidade do recurso aos produtos industriais de má qualidade - ponto em que o desenrolar dos acontecimentos, na verdade, não lhe deu razão; os seus objectos seriam famosos entre as classes mais abastadas e muito dificilmente um operário teria dinheiro para comprar uma cadeira sua.
acontece que por outro lado, a revisão dos processos de trabalho que advocava em contraste com os usados no resto da industria, estão longe de ser utópicos e foram largamente atingidos nas suas oficinas; um operário de morris era um artista, um artesão que estava a par de toda a produção, do planeamento à execução, era um operário que pensava, debatia e discutia, não se limitiva a uma única tarefa, saltava de objecto em objecto e navegava pelas mais diferentes técnicas.
esta visão do homem, da qualificação do seu trabalho e do valor da sua experiência tem pouco de utópico. basta olhar para os objectos criados e a sua enorme qualidade, basta ver a forma como o pensamento de morris ainda hoje faz eco na nossa sociedade.
utópico? haa! já sei! era socialista.
Aug 30, 2006
pé na estrada.
underground não rima com havaianas de todas as cores - aliás, começo a pensar que não rima com nada - mas quem sou eu para recusar um verão que esperou por mim?
Aug 18, 2006
chuva?
por uns breves dias, glookanoid vai abandonar a sua condição subterrânea. vai com a princesa caracol, mergulhar em águas doces e gélidas, para depois se esticar ao sol em cima de grandes calhaus - que se esperam bem quentes.
agur.
agur.
Aug 17, 2006
the subterraneans ( 6 ).

fotografia: julie leite
We claim the present as the pre-sent, as the hereafter.
We are unraveling our navels so that we may ingest the sun.
We are not afraid of the darkness, we trust that the moon shall guide us.
We are determining the future at this very moment.
We now know that the heart is the philosophers' stone
Our music is our alchemy
We stand as the manifested equivalent of 3 buckets of water and a hand full
of minerals, thus realizing that those very buckets turned upside down
supply the percussion factor of forever.
If you must count to keep the beat then count.
Find you mantra and awaken your subconscious.
Curve you circles counterclockwise
Use your cipher to decipher, Coded Language, man made laws.
Climb waterfalls and trees, commune with nature, snakes and bees.
Let your children name themselves and claim themselves as the new day for
today we are determined to be the channelers of these changing frequencies
into songs, paintings, writings, dance, drama, photography, carpentry,
crafts, love, and love.
We enlist every instrument: Acoustic, electronic.
Every so-called race, gender, and sexual preference.
Every per-son as beings of sound to acknowledge their responsibility to
uplift the consciousness of the entire fucking World.
Any utterance will be un-aimed, will be disclaimed - two rappers slain
Any utterance will be un-aimed, will be disclaimed - two rappers slain
saul williams - coded language - excerpt
Aug 15, 2006
the subterraneans ( 5 ).
drummer, hummer, on the floor
dreaming of wild beats, softer still,
yet free of violent city noise,
please sweet morning,
stay here forever.
bob kaufman - cocoa morning - excerpt.
dreaming of wild beats, softer still,
yet free of violent city noise,
please sweet morning,
stay here forever.
bob kaufman - cocoa morning - excerpt.
Aug 14, 2006
the subterraneans ( 4 ).

"beat generation" - still
". . . In this modern jazz, they heard something rebel and nameless that spoke for them, and their lives knew a gospel for the first time. It was more than a music; it became an attitude toward life, a way of walking, a language and a costume; and these introverted kids... now felt somewhere at last."
John Clellon Holmes
Aug 13, 2006
the subterraneans ( 3 ).
'... one night we suddenly went mad together again; we went to see Slim Gaillard in a little Frisco nightclub. Slim Gaillard is a tall, thin Negro with big sad eyes who's always saying 'Right-orooni' and 'How 'bout a little bourbon-arooni.' In Frisco great eager crowds of young semi-intellectuals sat at his feet and listened to him on the piano, guitar and bongo drums. When he gets warmed up he takes off his undershirt and really goes. He does and says anything that comes into his head. He'll sing 'Cement Mixer, Put-ti Put-ti' and suddenly slow down the beat and brood over his bongos with fingertips barely tapping the skin as everybody leans forward breathlessly to hear; you think he'll do this for a minute or so, but he goes right on, for as long as an hour, making an imperceptible little noise with the tips of his fingernails, smaller and smaller all the time till you can't hear it any more and sounds of traffic come in the open door. Then he slowly gets up and takes the mike and says, very slowly, 'Great-orooni ... fine-ovauti ... hello-orooni ... bourbon-orooni ... all-orooni ... how are the boys in the front row making out with their girls-orooni ... orooni ... vauti ... oroonirooni ..." He keeps this up for fifteen minutes, his voice getting softer and softer till you can't hear. His great sad eyes scan the audience.
jack kerouac - on the road - excerpt.
jack kerouac - on the road - excerpt.
Aug 12, 2006
the subterraneans.
So there we were at the Red Drum, a tableful of beers a few that is and all the gangs cutting in and out, paying a dollar quarter at the door, the little hip-pretending weasel there taking tickets, Paddy Cordavan floating in as prophesied (a big tall blond brakeman type subterranean from Eastern Washington cowboy-looking in jeans coming in to a wild generation party all smoky and mad and I yelled, "Paddy Cordavan?" and "Yeah?" and he'd come over)--all sitting together, interesting groups at various tables, Julien, Roxanne (a woman of 25 prophesying the future style of America with short almost crewcut but with curls black snaky hair, snaky walk, pale pale junky anemic face and we say junky when once Dostoevski would have said what? if not ascetic but saintly? but not in the least? but the cold pale booster face of the cold blue girl and wearing a man's white shirt but with the cuffs undone untied at the buttons so I remember her leaning over talking to someone after having been slinked across the floor with flowing propelled shoulders, bending to talk with her hand holding a short butt and the neat little flick she was giving to knock ashes but repeatedly with long long fingernails an inch long and also orient and snake-like)--groups of all kinds, and Ross Wallenstein, the crowd, and up on the stand Bird Parker with solemn eyes who'd been busted fairly recently and had now returned to a kind of bop dead Frisco but had just discovered or been told about the Red Drum, the great new generation gang wailing and gathering there, so here he was on the stand, examining them with his eyes as he blew his now-settled-down-into-regulated-design "crazy" notes--the booming drums, the high ceiling--Adam for my sake dutifully cutting out at about 11 o'clock so he could go to bed and get to work in the morning, after a brief cutout with Paddy and myself for a quick ten-cent beer at roaring Pantera's, where Paddy and I in our first talk and laughter together pulled wrists--now Mardou cut out with me, glee eyed, between sets, for quick beers, but at her insistence at the Mask instead where they were fifteen cents, but she had a few pennies herself and we went there and began earnestly talking and getting hightingled on the beer and now it was the beginning--returning to the Red Drum for sets, to hear Bird, whom I saw distinctly digging Mardou several times also myself directly into my eye looking to search if I was really the great writer I thought myself to be as if he knew my thoughts and ambitions or remembered me from other night clubs and other coasts, other Chicagos--not a challenging look but the king and founder of the bop generation at least the sound of it in digging his audience digging his eyes, the secret eyes him-watching, as he just pursed his lips and let great lungs and immortal fingers work, his eyes separate and interested and humane, the kindest jazz musician there could be while being and therefore naturally the greatest--watching Mardou and me in the infancy of our love and probably wondering why, or knowing it wouldn't last, or seeing who it was would be hurt, as now, obviously, but not quite yet, it was Mardou whose eyes were shining in my direction, though I could not have known and now do not definitely know
jack kerouac - the subterraneans. excerpt.
jack kerouac - the subterraneans. excerpt.
Aug 5, 2006
Mar 14, 2006
Feb 27, 2006
não resisti.
pré-avisos à navegação, com letras grandes:
1- as quadras que se segue não podem ser tomada como um hino à quadra actual. sempre detestei o carnaval. além do mais samba não é carnaval, mesmo que o contrário possa ser verdade.
2-os leitores amantes dos subgraves bem amplificados, pouco dados a brazucadas, que me perdoem este pequeno deslize, mas a mente prega-nos partidas.
3-não, não estou a fazer promoção ao evento da fernanda porto. é pura obra do acaso.
...e então é assim:
eu nunca fui numa roda de samba
dessas de partido alto, quintal e varanda
mas meu samba tem repique, tem batuque
o sample é reco-reco e agogô
esse samba é meu groove da vez
com guitarra e drum'n'bass
só pra ver como é que fica
eletrônico coro da cuíca
samba assim assado
de beat acelerado
será que é samba assim
samba assim assado
de beat acelerado
é sambassim
1- as quadras que se segue não podem ser tomada como um hino à quadra actual. sempre detestei o carnaval. além do mais samba não é carnaval, mesmo que o contrário possa ser verdade.
2-os leitores amantes dos subgraves bem amplificados, pouco dados a brazucadas, que me perdoem este pequeno deslize, mas a mente prega-nos partidas.
3-não, não estou a fazer promoção ao evento da fernanda porto. é pura obra do acaso.
...e então é assim:
eu nunca fui numa roda de samba
dessas de partido alto, quintal e varanda
mas meu samba tem repique, tem batuque
o sample é reco-reco e agogô
esse samba é meu groove da vez
com guitarra e drum'n'bass
só pra ver como é que fica
eletrônico coro da cuíca
samba assim assado
de beat acelerado
será que é samba assim
samba assim assado
de beat acelerado
é sambassim
Feb 23, 2006
my office ( 3 ).
a localização está definida, o campus será construido num braço da pequena barragem do enxoé, entre serpa e moura, por entre palmeiras, figueiras, oliveiras e sobreiros. esta localização recatada permite, por um lado, um maior isolamento dos artistas, e por outro, atenua o impacto da deslocalização de 450 pessoas para dois concelhos em vias de desertificação, com a divisão dos fluxos entre as duas povoações. de salientar que o campus para além da sua actividade artistica, funcionará também como uma exploração agricola, criando a necessária ligação à historia e cultura da região. o campus divide-se em 4 areas principais; a agricola, os serviços centrais, os ateliers e os estudios audiovisuais.
Feb 21, 2006
my office ( 2 ).
my office.
estive, mais uma vez, a ler o glooka de trás para a frente ( escolher ponto de partida) . cheguei à conclusão que o glooka é o meu pequeno eames office com algum sabor a anos oitenta, inicios dos noventa. mas ao pensar nisto, a primeira coisa que me ocorre é que a comparação peca de forma estrondosa pelo disnível existente entre o trabalho dos eames e as coisas que por aqui vou colocando, entre a persistência dos californianos e a minha edição inconstante, entre a profundidade da abordagem e a facilidade que não é mais do que o reflexo da época em que vivemos... quanto muito o glooka poderia ser um postal ilustrado da diversidade formal dos eames...um clip da mtv. nevertheless, acordei cedo e bem disposto...e este post serve perfeitamente o seu objectivo; dizer alguma coisa de jeito e colocar uma mancha de texto considerável no blog.
Feb 20, 2006
Feb 13, 2006
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