Jan 7, 2008

ararat.



a primeira vez que tive conhecimento do genocídio arménio, foi há uns 25 anos - até doí dizer isto - nas páginas do diário de lisboa, que todas as semanas lançava uma página de uma banda desenhada sobre os miseráveis acontecimentos de 1915, tenho ideia que o meu pai recortava a página todas as semanas, mas nunca mais passei os olhos sobre a obra, nem sequer me lembro do seu nome ou autor. recordo-me também, mais ou menos na mesma altura, do ataque à residência do embaixador turco em lisboa, por um comando arménio. depois disso, passei por inúmeras referências, mas nunca mais por um documento ou um acto que me fizesse pensar mais de cinco minutos no genocídio.
ontem vi ararat, o filme de atom egoyan que navega não só pelos acontecimentos do início do século XX, mas também pela diáspora arménia até aos nossos dias, da qual egoyan faz parte, ao lado do pintor arshile gorky, personagem simbolicamente central no filme. ararat não se limita a expor factos, ararat é uma discussão sobre o que significa hoje o genocídio arménio, sobre as suas diferentes leituras, significados e feridas, passado que está quase um século. montado brilhantemente de forma não linear, cruzando as épocas e a vida dos seus personagens no backstage de um filme sobre o genocídio, ararat seria sempre uma passagem obrigatória para egoyan, a novidade, ou não, é ser um documento honesto, pertinente e aparentemente pouco panfletário.

Jan 5, 2008

...

"...memory is always bound to be a bit naive and stupidly optimistic"

guy delisle in shenzhen - a travelogue from china

Jan 2, 2008

2008.

podia ter chegado como outro qualquer, mas não, parece querer marcar algumas rupturas e não estou a falar só de cigarros no café. marca o fim de 5 anos em volta do drum'n'bass e sonoridades adjacentes, no more guest list calls, volto à condição de simples raver, de preferência em poucas, mas boas, festas de dubstep. abre-se uma janela de várias horas por dia que espero ocupar com outros projectos, nomeadamente com um mestrado em ilustração que deve arrancar em fevereiro e mais um ou dois projectos ligados à animação que andam em banho maria há alguns meses. last but not least, fui hoje buscar o meu carro novo, não é um trabant mas que se foda.
that's the way the day breaks.

Dec 6, 2007

that's the way.

That's the way the stomach rumbles
That's the way the bee bumbles
That's the way the needle pricks
That's the way the glue sticks
That's the way the potato mashes
That's the way the pan flashes
That's the way the market crashes
That's the way the whip lashes
That's the way the teeth knashes
That's the way the gravy stains
That's the way the moon wanes

Tom Waits/William Burroughs

Dec 5, 2007

submersion.

Bem cedo no dia seguinte tive a confirmação que não devia ter voltado. um frota imensa de camiões aguardava-me no campus da empresa, carregando contentores de várias cores organizados devidamente por "projectos a decorrer", "coisas que já deviam estar feitas há muito tempo" e "novos problemas", estes últimos divididos entre o azul claro para os "era muito giro se..." e o azul azul para os "quero construir uma espécie de muralha da china em dois dias". cocei a cabeça e pedi para os empilharem no parque de estacionamento B, bem longe das janelas da direcção. despachei hoje o último azul claro, e estranhei tanto o parque de estacionamento vazio como o ar a entrar nos pulmões.