a incapacidade de achar aquela situação normal, misturava-se com a certeza que já tinha visto aquilo em algum filme. eu, o cordinhas e um japonês, mais três enormes mochilas na caixa traseira de um minúsculo triciclo motorizado, à j. tinha calhado viajar na parte da frente coberta, junto do pequeno velho que nos dava boleia. a chuva era tão densa que depois de ter percorrido vinte metros tinha a certeza absoluta que nada iria ficar seco na mochila e que a capa era uma peça a mais que tinha sobre o corpo - lembrei-me como o nosso condutor ao sair de casa olhou pela porta a medir a chuva que caia da noite e retirou duas peças de roupa do corpo.
o caminho era íngreme, estava enlameado e não se conseguia ver nada, apenas três ou quatro metros à frente do farol do motociclo. depois de uma rápida viagem de cinco minutos a mota parou, o caminho, para ela, acabava ali, agora seriam mais 3 km a descer a pé até à praia, diziam os dois num inglês dificílimo. mas 3 km por onde? mal conseguia ver a cara deles quanto mais descobrir um caminho que a nossa lanterna não acusava..."this way" "this way" dizia o mais novo enquanto descia as primeiras lajes que surgiam por debaixo da vegetação que prendia com o braço. mal iniciamos a marcha a a j. caiu. a impossibilidade do empreendimento saltava-nos dos olhos, mas nem tivemos tempo para pensar que o percurso inverso não nos servia, porque os nossos guias numa rápida conversa tinham decidido; um deles ia levar-nos à praia. para nosso espanto o mais novo voltou para a mota e o velho, o minúsculo e enrugado velho de oitenta anos, de chanatos, calções e uma t-shirt de alças ia-nos levar à praia. ainda a impossibilidade do empreendimento se mantinha como uma nuvem ao nível dos nossos olhos, já o total assombro causava pequenos puxões no nervo óptico. no momento não sabíamos, mas era o primeiro contacto de muitos com o fascinante e diferente mundo da velhice em terras nipónicas, e não só lá chegamos sem mais acidentes, como o velho fez toda a viagem à frente, dispensando a lanterna.depois mal descansou debaixo do abrigo e fez-se de novo à chuva, agora a subir, para ir ter com a mulher à casa onde tínhamos ido bater à porta a perguntar onde era a praia.
Apr 27, 2005
japão ( 3 ).
Apr 20, 2005
feeling it.

fotografia | josé manuel bacelar via hardlinerz
é difícil estabelecer o ponto de viragem, o momento em que a música electrónica deixa de ser um amontoado de sons rápidos e repetitivos, em que as pouca vozes que até ali soavam a lugares comuns de uma histeria colectiva qualquer, se transformam em frases plenas de sentido e colaboram na descoberta de uma nova dimensão naquele tipo de música. invariavelmente esse ponto de viragem está ligado ao momento mágico em que deixamos apenas de ouvir a música e a começamos a sentir no corpo, em que o nosso coração corre atrás das rápidas batidas e na caixa torácica ecoam os antes inaudíveis subgraves, o momento que sentimos o corpo fugir para uma dança da qual não tínhamos conhecimento.
advice: ouvir alto num bom sound system.
strange little girl.
strange little girl | the stranglers
Apr 14, 2005
Apr 11, 2005
isolation.
joy division | isolation ( excerpt )
Apr 9, 2005
stupid daylight.
hoje apeteceu-me sentir os pés dentro de uns all star encharcados pela água da chuva.





