Jul 10, 2007

vanguardas [ 3 ]


"our chairs, tables, and closets as well other apropriated objects are the "abstract-real" sculptures of our future interiors".

theo van doesburg


rietveld sentado à porta da sua loja/atelier.

enquanto as propostas dos futuristas e constructivistas eram, respectivamente, adoptadas e namoradas pelas grandes narrativas politicas emergentes no inicio do século XX, surgia na holanda outro movimento de vanguarda que casava o modernismo com ideais de cariz religioso. agrupados à volta da revista de stijl vários artistas efectivavam a ligação entre a tradição iconoclasta e ascética do puritanismo com os princípios programáticos modernistas.


theo van doesburg | Contra-Construction Project | 1923

o grupo de stijl advocava a eliminação da obra artística de qualquer traço emocional, bem como a rejeição da representação da natureza na arte, elevando a pura abstracção à estética da nova sociedade industrial. as suas obras em áreas como o design de equipamento, a pintura e a arquitectura eram caracterizadas pela maxima simplicidade formal baseada em construções puramente geométricas.


6 comments:

maria m. said...

mas esse conceito parace tão estritamente pragmático, utilitário. interrogo-me se, nesse caso, se pode falar de arte... (as minhas dúvidas de sempre, glooka...lol)

glooka said...

:)

de algum modo, com estes posts das vanguardas não estão ligados exclusivamente à arte, mas sim ao design e aí os conceitos afastam-se, uns mais, outros menos, das grandes questões da arte. o design como disciplina é mais vasto e engloba, por exemplo, uma grande componente de "problem solving" que não existe na arte. no caso das vanguardas até será das alturas em que os conceitos mais se aproximam, uma vez que a proposta modernista é alargada, é uma proposta artística mas também é politica e cultural.

no caso do de stilj havia arquitectos, designers de produto mas também havia artistas plásticos: o piet mondrian será o mais visível deles todos e penso que é indiscutível que a obra dele é artística, a arte não se limita à transmissão de emoções, mas também de ideias, que era o que ele fazia e se enquadra perfeitamente nos princípios modernistas, que rompem de forma radical com os conceitos anteriores de representação, afastando-se da realidade externa que nos rodeia e procurando a abstracção, a geometria, a racionalidade, a ordem matemática, a síntese das formas e a disposição linear e modular dos elementos construtivos da composição. é no fundo a arte do inicio do século XX, e de um mundo novo: da ciência, da industrialização, da tecnologia e das grandes narrativas politicas e sociais.

punklette said...

“Em 1925 Piet Mondrian renunciou publicamente ao movimento, ao entrar em conflito com Van Doesburg acerca do rumo teórico a ser seguido – Mondrian condenava o uso de linhas diagonais que Van Doesburg passou a fazer, já que o ângulo recto era um dos pilares fundamentais de sua teoria neoplástica”
from wikipedia
:)

glooka said...

:))

lol. pobre do arquitecto sem direito às diagonais. não sabia isso. sabia que o mondrian não via com bons olhos a influência que weimar e a bauhaus começaram a exercer sobre o van doesburg.

maria m. said...

thanks pelas refªs e esclarecimentos :)

entendo que, quer nas artes, quer em áreas como o design, se deva considerar também a intencionalidade do artista, relacionada por sua vez com o contexto sócio-político em que ele se insere.

glooka said...

well, pelo menos no modernismo isso é verdade, por trás de qualquer dos movimentos de vanguarda está a construcção de um nova estética, para um mundo novo. nem que seja pela radicalidade com que arrasam a realidade artística anterior.