Mar 28, 2005

as fotos roubadas.

dão-se alvíssaras a quem encontrar 4 jpegs com72 pixels/inch de definição, com 409 pixeis de largura por 307 de altura. a última localização conhecida dos jpegs eram os servidores do imageshack, de onde estranhamente foram retirados. o departamento de investigação do glooka crê que quem quer que as tenha retirado sabia ao que ia, uma vez que todas as outras imagens nos mesmos servidores ainda lá se encontram. segundo o mesmo departamento o estranho roubo verificou-se na sexta feira santa e até à data não foi encontrada explicação para o sucedido. as imagens roubadas eram parte integrante do post "this magical blue room" do weblog glooka e eram compostas por duas imagens de uma só cor (os azuis #1C4A63 e #00263A) e outras duas imagens de uma odalisca azul, todas elas com um border branco de 1 pixel.

Mar 23, 2005

this magical blue room.






Constantly risking absurdity | and death | whenever he performs | above the heads | of his audience | the poet like an acrobat | climbs on rime | to a high wire of his own making | and balancing on eyebeams | above a sea of faces | paces his way | to the other side of the day | performing entrachats | and sleight-of-foot tricks | and other high theatrics | and all without mistaking | any thing | for what it may not be | for he's the super realist | who must perforce perceive | taut truth | before the taking of each stance or step | in his supposed advance | toward that still higher perch where beauty stands and waits | with gravity | to start her death-defying leap | and he | a little charleychaplin man | who may or may not catch her fair eternal form | spreadeagled in the empty air | of existence

lawrence ferlinghetti |
Constantly Risking Absurdity

Mar 22, 2005

strange shrine.

em guimarães, no centro histórico, bem ao pé das esplanadas da praça, há uma loja que não é loja. é fácil dar com ela; tens que seguir os teus ouvidos e deixar-te levar pela canção do desterro do zeca afonso, vais dar com uma pequena porta que medeia a rua e uma estranha galeria apinhada de desenhos, esculturas, discos, livros, autocolantes e os mais diversos objectos, na sua maior parte dos anos 70. entra e faz as perguntas que quiseres.

Mar 15, 2005

lindo pesadelo.

passei por fétidos porões nos mares do sul e deixei-me embriagar pela voz rouca de luxuria canibal, sorri com vincent e percorri, contra o vento, um cenário dos irmãos quay. acordei ontem, segunda-feira.

Mar 14, 2005

anjos marotos.

se é dura a batalha | e me quebra a asa | e o vento segreda | da morte um aviso | tenho um anjo | lá em casa | que me aguarda | com um sorriso | se o corpo se esgota | de tanta moinha | e repouso busca | ao mortal quebranto | tenho um anjo | pela tardinha | que me embala | com seu canto | se no sonho tombo | e minha alma ensombro | com a visão da morte | a ceifar o trigo | tenho um anjo | no meu ombro | que me ampara | quando há perigo


| adolfo luxuria canibal |

Mar 10, 2005

japão ( 1 )

pouco falámos com eles - o inglês ali não tem a mesma força como lingua que tem noutros locais do mundo - mas quando chega ao futebol a gestualidade basta. 3 contra 3, portugal-japão, num pequeno ringue de basquetebol à beira mar. claro que pela nossa mente passou o fracasso da selecção portuguesa dois meses antes e sem contar com uma habituação nula - tinhamos chegado há 3 dias - estava muito calor naquela tarde de agosto no kyusho. mas não, não houve nakata que conseguisse contrariar o excelso futebol de 3 toscos portugueses. 4-2 para portugal.


| fotografia | punklette |

as mulheres não jogaram, ficaram debaixo do toldo do bar que durante os últimos 2 dias tinha sido a nossa casa. o mesmo problema, a lingua, as japonesas não falavam inglês. a gestualidade ali foi substituida por um pequeno caderno, nome para cá nome para lá e troca mascotes, o caderno ficou cheio de garfield, totoro, conan, kitty e outros, no final - quando nós chegamos do jogo - a j disse-me: "parece que estou a falar com 3 crianças". fim de tarde, os japoneses recolheram, ficamos sós no bar da praia, olhei para as colinas verdes na direcção de nagasaki, e imaginei como teria sido ali, a 25 km do ponto de impacto, o dia 10 de agosto de 1945. nessa noite choveu.

Mar 8, 2005

blue morning.


charles & ray eames.

ontem comprei um dvd da colecção dos filmes dos eames que encontrei à venda no passos manuel.

tive a felicidade de em 2003, no festival de curtas de vila do conde assistir a uma retrospectiva dos filmes de charles e ray eames, não conhecia o trabalho dos designers americanos e na altura fiquei fascinado pelos filmes que vi, mais tarde vim a conhecer mais trabalhos do eames office para além dos filmes e percebi o vasto programa de design que tomou forma naquele atelier californiano; dos filmes ao design de equipamento, dos brinquedos à fotografia e à arquitectura. não há no trabalho dos eames a necessidade do estilo, das trends, da afirmação por um expressão própria, o que o trabalho deles afirma é a tarefa dos designers na sua época; a intelectualidade e a cultura para além da mera funcionalidade, a riqueza da imagética humana e da natureza como fonte de entendimento do mundo em que vivemos e como alavanca de novas soluções.


"There is the word "inform." And it says that the thing which brings the understanding comes from inside the structure of things. I think this is what Charles knew and brought out and into the light again and again."

Philip Morrison

eames office
the eames in library of congress


Mar 7, 2005

wind.






butcher bunny vs kill bill.

"the work of art in the age of mechanical reproduction" é um texto de dimensão profética, escrito no inicio dos anos 30 por walter benjamin, o texto aborda, entre outras coisas, o impacto da fotografia, mas sobretudo do cinema na arte do século XX.
para benjamin o cinema tornar-se-ia uma forma de arte massificada enquanto que as outras forma de arte permaneceriam longe dessas mesmas grandes massas. benjamin afirmava que uma mesma audiência tinha uma atitude progressista ao aceitar um filme grotesco de hollywood e a mais reaccionária das atitudes perante uma pintura surrealista ou cubista. a justificação para este facto, residia no facto de o cinema ser, ao nivel dos comportamentos, muito mais fácil de analisar e estudar, assim como detinha sobre a pintura outra grande vantagem; a leitura era feita de diversos pontos de vista.

mark ryden butcher bunny vs tarantino kill bill .


Mar 5, 2005

yet.

a montagem.



os dias mais duros na companhia da maldade são os da montagem , 3 a 4 vezes por mês a caravana muda de sítio - exceptuando o verão, quando a companhia se fixa numa qualquer estância de verão a sul e o halloween quando ruma a uma grande cidade - e é preciso levantar a estrutura e esticar o enorme pano que a cobre, monta-se o palco e faz-se correr as bonitas cortinas vermelhas da madame ivil - segundo consta as cortinas são uma reliquia de familia, que viajaram da europa com a avó de mivil (é assim que ela é tratada na companhia da maldade) e estão protegidas por uma qualquer reza cigana que protege não só o seu proprietário como o espectáculo - depois as tarefas tornam-se individuais, dependendo da função de cada pessoa; é tão importante a banca das pipocas estar a funcionar, como o serrote de thomas estar afinado ou o pelo de gigi estar bem escovado. nesses dias de azáfama na companhia não é raro ao final da noite, já com tudo montado, a companhia se juntar numa conversa serena na tenda, uns sentados no estrado, outros no enormes bancos corridos e outros mesmo no chão. essas noites são especiais, as pequenas questões e os grandes problemas do dia a dia como que por magia não entram ali e até, com alguma sorte, se consegue ver o capitão a sorrir.

Mar 4, 2005

companhia da maldade.


o velho bill procurava desesperadamente um novo figurante para se sentar na cadeira, por cada terra que a caravana passava espalhava pequenos papeis a dizer "procura-se diabo - contactar companhia da maldade", invariavelmente o resultado era o mesmo; ninguem aparecia a reclamar a vaga. "e ainda bem" dizia o velho bill a rir enquanto vestia as irmãs siamesas ou cortava a barba a amy.

Mar 2, 2005

blood washing.


| blood washing | # 2 | animated gif |

frente fria na babilónia.

admito, hoje tive um grande acordar. acordei do sono profundo ao som de um dub baixinho, onde duas doces vozes femininas cantavam a haile selassie, contaminando o quarto de vibrações positivas. há aqueles momentos em que estamos a gostar do que estamos a ouvir, mas estamos a fazer ou a pensar noutra coisa, uma espécie de innerself lounge mode que também me agrada, mas hoje não, não foi assim, hoje deixei-me ficar deitado e durante 3 minutos abandonei-me aquele dub sem fazer ou pensar em mais nada.

mesmo agora, já bem acordado, algo me diz que o conforto deste blusão de neve está de alguma forma ligado aquelas vozes.